10 factos sobre o Parque e Palácio Nacional da Pena

Um alemão teve um sonho romântico. Ele queria construir um castelo de conto de fadas, no alto da serra de Sintra, que é um lugar místico e adorado desde sempre.

Felizmente para nós ele realizou o seu sonho e criou o cenográfico Parque e Palácio da Pena. É uma visita totalmente obrigatória para todos, na minha opinião.

É um local muito visitado por portugueses e principalmente turistas de outros países do mundo. Mas talvez alguns não saibam algumas coisas que esta magnífica obra esconde… aqui vão 10. Propositadamente, para descomplicar e tornar as personagens mais próximas de quem lê, refiro-me à realeza apenas pelos seus nomes. Nada de títulos.

1 – Existia um Mosteiro no local onde hoje se encontra o Palácio da Pena

Existiu um rei português, D. Manuel I, que tinha a intenção de fundar em Lisboa 12 mosteiros dedicados à Ordem de S. Jerónimo. O mais conhecido é o que podemos visitar ainda hoje em Belém, o famoso Mosteiro dos Jerónimos.

Um outro Mosteiro que foi fundado por sua decisão foi o da Nossa Senhora da Pena, em Sintra, exatamente no mesmo local onde atualmente se encontra o Palácio Nacional da Pena.

Parte da Capela do Mosteiro resistiu ao terramoto de 1755 e continua intacta. Numa visita ao Palácio não perca o retábulo do altar-mor e o vitral da nave. Se olhar muito perto do vitral, para a figura do canto inferior esquerdo vai ver o próprio vitral retratado.

Entrada da Capela, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Entrada da Capela
Vitral da Capela, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Vitral da Capela

Interessante também da época do Mosteiro é a Gruta do Monge localizada no Parque que rodeia o Palácio atualmente. Era aqui que os monges praticavam o silêncio e o recolhimento.

Gruta do Monge, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Gruta do Monge

2 – O Mosteiro foi comprado por um filho de um príncipe alemão

Da união entre um Príncipe (e Duque) e uma princesa da cidade alemã de Coburgo, nasceu Fernando Augusto Francisco António. Ele teve uma educação excelente, passada em cortes reais, onde terá desenvolvido o talento artístico que revelou durante toda a sua vida.

Busto do rei D. Fernando, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Busto do rei D. Fernando

Mesmo nunca tendo visitado Portugal ou conhecido a sua Rainha, foi decidido que casaria com ela. Tinha então ele 19 anos. Foi assinado um contrato que indicava que o casamento seria realizado em Lisboa e que Fernando iria receber uma pensão anual que se iria manter mesmo se ficasse viúvo.

Neste contexto, Fernando saiu de Coburgo e foi para Lisboa, tendo casado no dia seguinte à sua chegada e assumido o cargo de monarca. Mas ele nunca o quis ser… Não lhe interessava mesmo nada reinar um país, ele queria era dedicar-se à arte. Fernando colecionava arte, desenhava e cantava, tendo por isso ficado conhecido como o rei artista.

Pouco tempo depois de se mudar para Portugal conheceu Sintra e rapidamente se apaixonou, tendo de imediato comprado o local onde estava o Mosteiro de S. Jerónimo (que se encontrava em ruínas) e toda a mata que o envolvia, incluindo o Castelo dos Mouros. Esta compra foi realizada com a sua fortuna pessoal.

Mandou fazer uma estrada de acesso ao alto da serra, onde estava o Mosteiro, até S. Pedro de Sintra, para criar condições à edificação do seu Palácio.

3 – O filho do príncipe alemão casou com uma Rainha portuguesa

Maria de Bragança nasceu no Rio de Janeiro quando este era território português e os monarcas portugueses lá viviam. O seu pai abdicou do trono de Portugal e por isso com apenas sete anos (sim, sete!) tornou-se Rainha do seu país, com a condição de se casar com o seu tio. O casamento concretizou-se mas acabou por ser anulado, porque o tio de Maria não cumpriu a sua parte do contrato.

Entretanto Maria viveu em Inglaterra e França, preparando-se para um dia assumir o cargo de Rainha a que tinha direito, o que sucedeu quando chegou aos 15 anos de idade.

No ano seguinte casou com um príncipe alemão que morreu dois meses após a cerimónia e pouco tempo depois com o filho de um príncipe também alemão, de nome Fernando.

4 – O Barão alemão Von Eschwege foi viajar para se inspirar a criar o Palácio da Pena

Fernando quando comprou o terreno que ocupa atualmente o Parque e Palácio da Pena, pretendia construir uma residência de verão que tivesse traços medievais, manuelinos e mouriscos.

Para o ajudar a concretizar esse sonho teve a ajuda do Barão alemão Von Eschwege. Quando este lhe apresentou as suas ideias, Fernando percebeu que o Barão não estava a perceber exatamente o que ele pretendia construir. E assim sendo, propôs que o Barão realizasse uma viagem até ao sul de Espanha, norte de África, Itália e França para ir buscar inspiração do mediterrâneo.

Após esta viagem o Barão projetou o Palácio que vemos hoje.

Tritão, um monstro mitológico, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Tritão, um monstro mitológico (que evoca dos Descobrimentos)
Fachada com influência árabe e indiana, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Fachada com influência árabe
Mirante de inspiração indiana, Palácio da Pena, Sintra, Portugal
Mirante de inspiração árabe

5 – O Palácio tem duas alas diferentes

O Palácio da Pena é constituído por duas alas. A zona onde se encontrava o antigo convento é onde se começa a visita ao Palácio. As divisões aqui são pequenas, o que revela uma proximidade e intimidade familiar típica da época (ao contrário do que existia antes).

Sala de jantar, Palácio da Pena, Sintra; Portugal
Sala de jantar

Todos os salões mais aparatosos estão na chamada zona nova, por ter sido construída fora da zona de construção do antigo Mosteiro. Esta é a ala formal, onde Fernando e Maria recebiam as suas visitas.

Salão nobre, Palácio da Pena, Sintra; portugal
Salão nobre

6 – No Parque da Pena existem cerca de 2000 espécies de árvores

O Palácio da Pena e o Parque de 85 hectares que o rodeia, foram planeados em simultâneo. Fernando e o Barão encarregue do projeto, criaram uma paisagem luxuriante onde podemos encontrar espécies provenientes de vários locais do planeta. O microclima que se sente na região de Sintra é propício a que isto aconteça. Entre muitas outras árvores podemos encontrar um teixo (árvore venenosa), um grupo de  sequóias e algumas magnólias.

O Parque parece uma floresta selvagem, onde emana um ambiente romântico e bucólico. Os caminhos são sinuosos e onde facilmente nos perdemos, tanto na paisagem como em nós próprios.

Parque da Pena, Sintra, Portugal
Parque da Pena
Banco no meio da vegetação, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Banco no meio da vegetação

Foi tudo pensado ao pormenor.

7 – O Parque da Pena tem mais de 30 locais para descobrir

Quem entra no complexo do Parque e Palácio da Pena pode optar por ir de autocarro até ao alto da serra e ir visitar o Palácio ou percorrer o caminho a pé. Eu aconselho ir direto ao Palácio e depois deambular pelo Parque durante algumas horas.

O jardim é de inspiração romântica e convida a longos passeios a pé pelo emaranhado de caminhos. No percurso quando menos esperamos existem belas surpresas, tais como a gruta onde os monges meditavam, o vale dos lagos, uma capela ou uma zona apenas com camélias.

Vale dos lagos, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Vale dos lagos

Não perca mesmo esta experiência. Percorra o Parque sem pressa e deixe-se deslumbrar.

8 – Fernando voltou a casar

Fernando e Maria tiveram 11 filhos, sendo que o nascimento do último foi a razão da morte da mãe. Vários anos após este acontecimento, Fernando apaixonou-se por uma cantora de ópera de nome Elise Hensler, quando a viu atuar no Teatro São Carlos. Passaram alguns anos a viajar pela Europa e acabaram por casar.

Foi atribuído a Elise o título de Condessa d’Edla e construído no Parque da Pena um jardim e chalet com o seu nome. Na zona verde que rodeia o edifício, Elise e Fernando colecionaram espécies botânicas de todo o mundo, como do Chile ou da Austrália.

O chalet é uma bela construção de recreio com inspiração alpina para que a condessa pudesse matar saudades do seu amabiente de origem. O acesso ao chalet é pago à parte mas recomendo que vá. O seu exterior revestido a cortiça é muito interessante e a decoração interior também. Existe uma sala que parece forrada a renda e outra com heras (de estuque) por exemplo.

Chalet da Condessa D'Edla, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Chalet da Condessa D’Edla
Sala de jantar do Chalet da Condessa d´Elda, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Sala de jantar do Chalet da Condessa d´Elda

9 –Fernando morreu e a condessa foi a herdeira do Palácio e Parque da Pena

Quando Fernando morreu deixou em testamento o Parque e Palácio da Pena à sua mulher, Elise. Esta decisão foi muito contestada pela família de Fernando e pela opinião pública.

Luís, um dos filhos que Fernando tinha tido com Maria, já era rei de Portugal e pretendia que os bens do pai ficassem para ele, não para a sua segunda mulher. Depois de cinco anos de processo judicial, o Parque e Palácio da Pena foram comprados pelo estado e Elise ficou com o usufruto vitalício do chalet. Renunciou alguns anos mais tarde.

10 – Existe um jardim francês dedicado à última rainha de Portugal

O neto de Fernando, de nome Carlos, casou com Maria Amélia, filha do Conde de Paris. Durante os anos em que Elise habitava o chalet, o casal real Carlos e Maria Amélia ficavam no Palácio da Pena nas suas deslocações a Sintra. As senhoras ficaram mesmo amigas próximas, vendo-se e escrevendo-se com regularidade.

Dada a proveniência francesa de Maria Amélia, uma horta que existia no Parque da Pena foi transformada em jardim de estilo francês. Encontra-se imediatamente a seguir à loja junto à entrada no Parque da Pena. É um local muito discreto, mas é muito interessante de conhecer, até pela enorme diferença com a restante área verde de inspiração romântica.

Aqui encontramos percursos muito bem definidos, com alguns arbustos rasteiros e floridos, que permitem observar quase tudo o que se encontra à nossa volta.

Jardim da Rainha D. Amélia, Parque da Pena, Sintra, Portugal
Jardim da Rainha D. Amélia

Após o assassinato de Carlos e do filho de ambos, a rainha começou a passar longas temporadas no Palácio da Pena, até 1910, ano de implementação da República (e fim da monarquia).

Imagino que tenha andado muito por este jardim que lhe devia fazer lembrar tanto o local onde nasceu e viveu os primeiros anos.



Dicas práticas para ir ao Parque e Palácio Nacional da Pena

(Se fizer as suas reservas através destes links, não paga mais nada por isso e eu ganho uma pequena comissão, o que é determinante para eu continuar a escrever sobre viagens. Obrigada!)

Como chegar ao Parque e Palácio da Pena: O Parque e Palácio Nacional da Pena fica a cerca de 30 quilómetros do centro de Lisboa, mesmo no Parque Natural de Sintra-Cascais. Para fazer este percurso pode utilizar carro, táxi/uber, autocarro ou comboio até Sintra e depois autocarro desde a estação (Scotturb nº434)

Onde dormir: De acordo com os seus planos de viagem pode optar por dormir em Lisboa ou na região de Sintra.

Na região, recomendo o Águamel Sintra, Boutique Guest House.

Quando ir ao Parque e Palácio Nacional da Pena e como marcar: Pode ir todos os dias entre as 9h30 e as 20h ao Parque e entre as 19h30 e as 19h ao Palácio. Pode comprar bilhete online para evitar as eventuais filas para entrar. Antes de comprar o bilhete perceba se vai a outros locais do Parque de Sintra num prazo de 30 dias. Se sim, opte por um bilhete combinado, fica mais barato.

Localização do Parque e Palácio Nacional da Pena: Estrada da Pena, em Sintra.

Mais informações: Site oficial dos Parques da Lua.


Dicas sobre viajar até Lisboa

(Se fizer as suas reservas através destes links, não paga mais nada por isso e eu ganho uma pequena comissão, o que é determinante para eu continuar a escrever sobre viagens. Obrigada!).

Como se deslocar: A melhor maneira de se delocar no centro de Lisboa é a pé (o centro histórico não é muito grande), de metro ou em alternativa de autocarro. Se for par Sintra, Cascais, Ericeira ou margem sul do Tejo, por exemplo, existe uma boa rede de comboios e de autocarros.

Se quiser explorar os arredores, recomendo alugar carro. Vale a pena comparar os preços e escolher o melhor negócio na Rentalcars.

Onde dormir: Atualmente existe em Lisboa uma norme oferta de alojamento, pelo que escolher pode não ser tarefa fácil. Eu privilegio sempre a localização por isso recomendo ficar a dormir em Alfama, um dos bairros mais típicos e genuínos da cidade. Se ficar neste bairro pode ir a pé até ao castelo, ao Martim Moniz ou ao Rossio, locais obrigatórios numa visita a Lisboa.

Se vier num grande grupo (até sete pessoas) ou em família recomendo ficar a dormir no Luxurious Alfama Riverview, que é um apartamento super bem localizado e com uma vista fantástica para o rio Tejo.

Se vier sozinho ou num grupo de até três pessoas recomendo o Alma Moura Residences, também muito bem localizado.

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12 comentários em “10 factos sobre o Parque e Palácio Nacional da Pena”

  1. Adorei o relato recheado e história e curiosidades. Não sei do que gostei mais, do castelo de estilo eclético e luxuoso ou do jardim maravilhoso e com muitas surpresas ao longo do percurso. Gostei muito do roteiro e anotei essa dica.

  2. Puxa, quanta história! Portugal está na minha lista faz tempos, quem sabe nas próximas férias eu não acabe passando por lá? Abs

  3. Vida triste a de um rei artista que podia comprar um lugar destes, abrir uma estrada até lá e dar largas à sua imaginação, tornando-o numa dos mais belos palácios do mundo…

  4. Construção rica em cores e detalhes. Acho que já encontrei a locação para as fotos do meu casamento em Portugal.

  5. Catarina,

    O Parque da pena é uma delicia. Fez-me lembrar um pouco de versalhes (Sem Luxos e ainda mais bonito pela envolvência natural e paisagística), nomeadamente, na casa da Chalet da Condessa D’Edla e da Quinta AGrícola. INFELIZMENTE, não fui ao palácio da pena, optei por explorar os Miradouros do parque da pena. E a caminhada da Pena até ao Centro Histórico, passando pela vila Sassetti, é uma alternativa para os mais aventureiros!

    E o Dom Fernando II, o “Fernando” como chamas, foi um grande mentor desta obra bela! Criou um belo romance na Serra de sintra.

    • Olá Rafael 🙂
      É mesmo, o Parque é fantástico. É uma pena muitas vezes os visitantes irem diretos ao Palácio e não explorarem com tempo o Parque. Todo ele. O chalét é dos pontos mais interessantes a visitar no Parque, vale a pena pagar o bilhete de entrada.
      Tens de ir ao Palácio, boa sorte é com o dia, porque a última vez que lá estive a fila estava uma loucura….
      Nunca fiz isso a pé, recomendas? Gostava de experimentar….

      Um beijinho

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