Roadtrip no Brasil: Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Porto de Galinhas

Pernambuco é um dos 27 estados existentes em todo o Brasil. Localiza-se na região do Nordeste e é um dos mais ricos a nível cultural, histórico e paisagístico. Foi por estes lados que há vários milhões de anos atrás o supercontinente que existia a sul da linha do equador se começou a fragmentar e as placas tectónicas Americana e Africana se movimentaram lentamente, em sentidos opostos. Muito mais tarde a história de Pernambuco esteve relacionada com a primeira chegada dos Europeus e o início da época negra da escravatura e a cultura da cana-de-açúcar.

Apesar de toda esta história, o que faz com que atualmente este estado seja mais conhecido são as magníficas praias, enquadradas em belas paisagens com inúmeros coqueirais. Eu gostei imenso, em especial das piscinas naturais.

Fiz um percurso de uma semana em Pernambuco. Voei de Lisboa até Recife, e aqui junto ao aeroporto aluguei carro e percorri durante esse tempo a zona mais litoral do estado.

Uma semana em Pernambuco

Dia 1- Olinda

Olinda fica na zona norte de Recife, a capital de Pernambuco. É uma cidade com pequenas casas coloniais, muito coloridas e que noutros tempos foi o mais importante centro do comércio do Brasil setentrional. Esta povoação foi fundada no século XVI pelo português Duarte Coelho e foi capital do estado até ter sido saqueada e incendiada pelos holandeses.

Um programa interessante é andar a pé pelas ruas com traçado totalmente irregular, pelo meio de várias tonalidades de cor, subir até ao ponto mais alto para ver toda a costa até Recife e visitar os monumentos mais antigos de Olinda: Sé, antigo Palácio dos Bispos e a Igreja da Misericórdia.

Igreja da Sé em Olinda
Igreja da Sé em Olinda
Casa colorida em Olinda
Casa colorida em Olinda
Rua muito inclinada com casas bem coloridas, em Olinda
Rua muito inclinada com casas bem coloridas, em Olinda

Dormida: Eco Olinda B&B

Dia 2 – Passeio de Buggy no Cabo de Santo Agostinho

Desde Olinda é apenas uma hora de caminho até Cabo de Santo Agostinho. Recomendo ficar a dormir na praia de Gaibu, é uma zona central, muito animada, com imensos cafés e restaurantes mesmo em cima da areia. O ambiente é perfeito para entrar na boa “onda” do Brasil.

No primeiro dia no Cabo pode comprar um passeio de Buggy para ter uma ideia global de toda a região. Se optar pela Pinzon Turismo, além de ir aos principais pontos do Cabo, vai conhecer muito bem a riquíssima história da região.

As letras "Eu amo o Cabo de Santo Agostinho", no Suape
As letras “Eu amo o Cabo de Santo Agostinho”, no Suape
Casa do Faroleiro, no Cabo de Santo Agostinho
Casa do Faroleiro, no Cabo de Santo Agostinho
Praia Gaibu em Cabo de Santo Agostinho
Praia Gaibu em Cabo de Santo Agostinho

Vá conhecer o banho de lama de Itapuama, toda a linha de costa para conhecer as nove praias do Cabo de Santo Agostinho, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, o Convento Carmelita, a antiga Casa do Faroleiro e o local onde o Brasil se “descolou” da Nigéria há vários milhões de anos atrás.

Dormida: Namoa Pousada

Dia 3 – Baía do Suape (Cabo de Santo Agostinho)

Pode fazer várias coisas na Baía de Suape. Ir à praia, apanhar um barco no Bar do Doido e caminhar sobre um arrecife e ver os pequenos lagos com peixinhos, subir ao miradouro e avistar toda a região, beber um cocô, tirar uma foto com as letras “Eu amo o Cabo de Santo Agostinho” e conhecer um pouco mais da história do local.

Devido às características deste local, no Suape é possível encontrar um dos tipos de mangue mais interessante que existem, chamado de “gaiteiro” pelos locais. É chamado assim porque esta árvore possui a capacidade de se “mover”, em média um metro por ano. O mangue “gaiteiro” tem várias ramificações no seu caule que chegam ao solo e que se fixam. Esses caules funcionam como se fossem “pés”. Muito lentamente esses “pés” morrem de um lado e nascem num outro, pelo que as raízes vão sendo renovadas e desta forma a árvore “move-se”.

Baía de Suape (a partir do Mirante do Paraíso), no Cabo de Santo Agostinho
Baía de Suape (a partir do Mirante do Paraíso), no Cabo de Santo Agostinho
Mangue “gaiteiro”, na Baía de Suape, no Cabo de Santo Agostinho
Mangue “gaiteiro”, na Baía de Suape, no Cabo de Santo Agostinho
Piscinas naturais nos arrecifes da Baía de Suape (Cabo de Santo Agostinho)
Piscinas naturais nos arrecifes da Baía de Suape (Cabo de Santo Agostinho)

Dormida: Namoa Pousada

Dia 4 – Engenho Massangana e Praia de Calhetas (Cabo de Santo Agostinho)

É imperdível conhecer um exemplo de uma casa de engenho da cana-de-açúcar. Em Pernambuco chegaram a existir cerca de 100 locais onde mão-de-obra escrava trabalhava no que já foi a base da economia colonial, o açúcar. De entre todos os engenhos destaca-se o Engenho Massangana, uma vez que foi lá que viveu alguns anos o mais famoso abolocionista brasileiro, Joaquim Nabuco.

Engenho Massangana no Cabo de Santo Agostinho
Engenho Massangana no Cabo de Santo Agostinho

Da parte da tarde é hora de relaxar e de conhecer melhor a praia por muitos considerada uma das mais bonitas do Brasil. A Praia de Calhetas é pequena mas o enquadramento paisagístico é lindíssimo. A baía encontra-se cercada de rochas, coqueiros e uma vegetação verde exuberante. A totalidade da praia é ocupada pelo famoso Bar do Artur que é um local perfeito para sentir o bom ambiente que se vive nas praias desta região.

Praia de Calhetas, no Cabo de Santo Agostinho
Praia de Calhetas, no Cabo de Santo Agostinho

Dormida: Namoa Pousada

Dia 5 – Ruas e praia da vila de Porto de Galinhas

A meia hora de carro do Cabo de Santo Agostinho encontra-se o local mais turístico da região, Porto de Galinhas. Mal chegamos aqui percebemos logo pela quantidade de resorts e de hotéis de luxo, que é um local que recebe imensas pessoas. Isto não acontecia no Cabo de Santo Agostinho, o que na minha opinião é uma coisa boa.

Porto de Galinhas deve o seu nome à época em que este local foi o principal ponto de comércio de escravos de todo o Nordeste Brasileiro. A chegada de navios com escravos ilegais escondidos por baixo de galinhas de angola, era anunciada pela senha “tem galinha nova no porto!”. E desta forma o surgiu o nome desta povoação.

As galinhas continuam muito presentes na vila, nas placas das ruas, no artesanato e nas inúmeras galinhas do tamanho de uma pessoa que encontram espalhadas pela vila e vestidas de forma diferente de acordo com as lojas que lhe estão próximas.

Num primeiro dia aqui é interessante começar por explorar bem ruas da vila, assim como a sua praia de onde partem jangadas para visitar as piscinas naturais.

Uma das várias placas que exitem em Porto de Galinhas

Uma das várias placas que exitem em Porto de Galinhas

Dormida: Pousada Xalés de Maracaípe

Dia 6 – Projeto Hippocampus e Praia Muro Alto (Porto de Galinhas)

Muito perto do centro da vila,a uma caminhada de poucos minutos, encontra-se o Projeto Hippocampus. É um espaço que se dedica a conservar cavalos marinhos e onde podemos ver vários aquários com este peixe. Além deste há também outros peixes e invertebrados típicos de Pernambuco.

Projeto Hippocampus em Porto de Galinhas
Projeto Hippocampus em Porto de Galinhas

Ao sair do Projeto tem mesmo à frente uma frutaria onde pode beber cocôs muito bons e baratos. Recomendo.

Logo de seguida pode ir até à Praia do Muro Alto, que deve o seu nome ao enorme arrecife que forma uma enorme piscina natural. Tem várias barracas onde se come muito bem.

Praia de Muro Alto em Porto de Galinhas
Praia de Muro Alto em Porto de Galinhas

Dormida: Pousada Xalés de Maracaípe

Dia 7 – Maracaípe (Porto de Galinhas)

Dedique um dia inteiro a esta praia, para mim a melhor de Porto de Galinhas. É muito sossegada e boa tanto para quem gosta de mar mais agitado como para quem prefere um mar mais calmo.

Pontal de Maracaípe em Porto de Galinhas
Pontal de Maracaípe em Porto de Galinhas

Experimente o passeio de jangada que circula pelo pontal e pelos manguezais. A paisagem é mesmo bonita, com uma água cristalina e quente, areia branca e vários coqueiras a embelezar. Se tiver sorte ainda vai poder ver alguns cavalos marinhos. Quando o passeio terminar pode ficar no pontal, ir para a praia mais agitada ou escolher um dos três ou quatro restaurantes disponíveis. Aconselho a ficar para o por-do-sol, não podia ser um melhor fim para o dia e toda a semana.

Dormida: Pousada Xalés de Maracaípe



Dicas para viajar até Cabo de Santo Agostinho

(Se fizer as suas reservas através destes links, não paga mais nada por isso e eu ganho uma pequena comissão, o que é determinante para eu continuar a escrever sobre viagens. Obrigada!).

Como chegar: Se for de Lisboa como eu, o melhor é apanhar um avião direto para Recife. Eu voei com a TAP, como faço quase sempre.

Como se deslocar: Em Recife recomendo alugar carro, para ter mobilidade para percorrer toda a região de Pernambuco. Perto do Aeroporto há imensas escolhas. Vale a pena comparar os preços e escolher o melhor negócio na Rentalcars.

Onde dormir: Recomendo ficar a dormir em três locais diferentes, Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Porto de Galinhas. Foi o que eu fiz.

Dormir em Olinda

Dormir em Cabo de Santo Agostinho

Dormir em Porto de Galinhas

Tours: No Cabo de Santo Agostinho recomendo o passeio de buggy com a Pinzon Turismo. O Roberto é uma pessoa  espetacular, super boa onda e prestável, sabe muito sobre a história de Cabo de Santo Agostinho e está sempre disponível a partilhar.

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