Tudo o que precisa saber sobre a malária

Viajar para um destino onde existe risco de transmissão de malária implica a existência de medidas de prevenção específicas. Não nos podemos esquecer que a malária pode ser uma doença muito grave (podendo levar mesmo à morte) e por isso é super importante percebermos bem o que é, como se previne, quais os sinais de alerta e como se trata.

Se estiver a pensar viajar para um destino onde existe risco de transmissão de malária, marque uma consulta do viajante e coloque todas as suas questões ao médico especialista. A malária pode ser fatal, não vale a pena arriscar.

Convidei um médico amigo com especialidade em Medicina do Viajante a responder a algumas perguntas relativas à malária que são muito comuns entre os apaixonados por viagens, tal como eu.

1 – O que é a malária?

A malária é uma doença infeciosa causada por um parasita, transmitido aos humanos através da picada de um mosquito (fêmea). Existem vários tipos de parasita que podem infectar os humanos, sendo os mais comuns o Plasmodium falciparum, vivax, malariae e o ovale.

Depois da picada do mosquito (que se pretende alimentar), o parasita entra no organismo, vai até ao fígado, desenvolve-se e posteriormente invade os glóbulos vermelhos do sangue, crescendo e multiplicando-se. A cada dois/três dias os glóbulos vermelhos rompem o que leva à existência de febre, calafrios e suores.

A evolução da malária varia de acordo com o tipo de parasita, podendo ir de escassos sintomas até mesmo à morte. Não fazemos ideia que tipo de parasita nos poderá ter picado, portanto a malária deve sempre ser encarada como uma emergência médica (em especial se for o
Plasmodium falciparum).

2 – Em que países existe malária?

A malária está presente em inúmeros países, tanto na América do Sul, África ou Ásia, predominantemente em climas tropicais. Atenção que no mesmo país podem existir regiões com risco diferente de malária, pelo que na consulta do viajante é muito importante partilhar o percurso da viagem que estiver a planear.

Lembro-me de quando fui à Tailândia por exemplo necessitar de antimalárico devido à minha deslocação ao norte do país e passagem por terra para o Camboja. Se me tivesse mantido no centro e sul não teria sido necessário.

3 – Como se previne a picada do mosquito?

O mosquito pica normalmente durante o amanhecer e entardecer, que é quando está mais ativo, mas se estiver num país/região onde exista risco de ser picado e contrair malária, deve ter sempre em conta várias medidas ao longo de todo o dia (não apenas nos períodos críticos).

Não se esqueça que na maioria destes países existem diversos mosquitos, responsáveis por outras doenças, que picam noutros horários. Não fique coma falsa sensação de que está em segurança se tiver apenas muito cuidado nos períodos críticos.

Utilizar repelente

A utilização de repelente é a medida disponível mais importante e efetiva. Os mais eficazes são os que têm como substância ativa
N,N-Dietil-m-toluamida , conhecido por DEET (com cerca de 30%). Devem ser aplicados várias vezes ao dia na pele exposta e na roupa.

O repelente deve ser aplicado por cima de protetor solar e do creme hidratante.

Vestir roupa larga, clara e de fibras naturais

A pele deve estar tapada/protegida o mais possível, para desta forma evitar a picada de mosquitos. É recomendado usar peças de manga comprida, calças, ambas de fibra natural, cor clara e larga. O calçado deverá ser fechado.

Os mosquitos podem picar através da roupa pelo que se deve utilizar repelente na roupa também.

Alojamento com ar condicionado

Preferencialmente deve existir sempre ar condicionado no local onde o viajante vai dormir. Com este sistema e se as portas e janelas estiverem fechadas, o viajante estará protegido. Se o alojamento não tiver ar condicionado é recomendada a utilização de uma rede mosquiteira sobre a cama (idealmente impregnada de inseticida).

4 – Os antimaláricos são mesmo importantes?

Na consulta do viajante o médico poderá aconselhar a toma de um antimalárico, como medida profilática, depois de avaliar o percurso que o viajante planeia fazer e vários outros fatores tais como o estado de saúde do viajante ou da resistência do parasita.

Nenhum é totalmente eficaz na proteção contra a doença (mas mais do que 90%, de acordo com a Direção Geral da Saúde), pelo que deverá combinar sempre com outras medidas tais como a utilização de repelente por exemplo.

Os dois fármacos que são mais vezes prescritos são estes comprimidos:

  • Mephaquin: substância ativa é a mefloquina (a toma é uma vez por semana, no mesmo dia)
  • Malarone: tem duas substâncias ativas, a atovaquona e o cloridrato de proguanilo (a toma é todos os dias à mesma hora).

Ambos os medicamentos têm de ser tomados com algum tempo de antecedência, durante a estadia e ainda depois do regresso do local com risco de transmissão de malária, para garantir a máxima proteção do viajante.

Estes antimaláricos além de serem utilizados para prevenir, também constituem uma possibilidade de tratamento, uma vez que matam o parasita.

5 – Quais são os sintomas da malária?

Os primeiros sintomas são semelhantes a um síndrome gripal, tais como tremores de frio e uma rápida subida da temperatura do corpo, muitas vezes acompanhada por náuseas, vómitos, dores de cabeça e dores musculares.

Logo a seguir ao frio e à febre o doente sofre um período em que transpira imenso, quando a temperatura corporal baixa. Este ciclo de sintomas repete-se num intervalo de tempo que está relacionado com o tipo de parasita. Podem existir recaídas passados 40 anos da picada do mosquito… (no caso do parasita ser o Plasmodium malariae).

Se a doença não for tratada podem surgir complicações como anemia ou malária cerebral, que pode levar à morte.

6 – Como se trata a malária?

Quanto mais rápido um doente infetado com malária for tratado, mais sucesso esse tratamento terá. Se tiver viajado para uam área endémica forneça essa informação e sugira a realização de análises ao sangue adequadas à deteção do parasita.

O tratamento da malária irá depender da gravidade da infeção, podendo ser administrados os antimaláricos utilizados na prolifaxia (mas em diferentes doses).

Em caso de sintomas “suspeitos” até seis meses após o regresso da viagem, contacte a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou consulte o seu médico logo que possível.



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