Fui descobrir a época dos romanos com uma visita da Oui Go Lisbon e gostei bastante do que a Andreia mostrou e explicou. No percurso que fiz viajei pelo tempo e descobri as ruínas romanas que estão escondidas em Lisboa. São estas memórias de Lisboa que neste artigo convido a conhecer.

Lisboa dos romanos

Lisboa, tal como qualquer outra cidade, pode ser vista e visitada de inúmeros pontos de vista. Tudo depende das preferências de quem viaja. Uns por exemplo preferem visitar museus e igrejas, outros mercados e restaurantes, outros ainda a vida animal.

Independentemente do que gostemos, é habitual começar sempre pelo que é considerado o “Top 10”, aqueles locais considerados obrigatórios. A partir daí há espaço para cada um de nós ver uma cidade de acordo com o que mais gosta.

A capital portuguesa tem quase 1000 anos de história e por isso nela encontramos memórias dos vários povos que por cá já passaram, sendo um deles os romanos. Eles ocuparam o que hoje se chama Lisboa durante 600 anos, tendo deixado muitas memórias que se mantêm até hoje. Sabia que pode visitar o que já foi o teatro, a área de produção de preparados de peixe ou o cais romano? Já tinha imaginado Lisboa desta forma?

Romanos

Temos então de recuar cerca de 1800 anos e imaginar como era Lisboa, uma cidade próxima do mar e do rio, habitada há já bastante tempo na colina do castelo, por povos muito provavelmente ligados ao comércio. O rio Tejo ocupava uma área do que hoje é Lisboa, não existindo nessa altura o terreno ocupado por grande parte da zona ribeirinha. Um braço dor io entrava Lisboa adentro, passando mesmo perto do que é hoje o Rossio.

Foi neste panorama que os romanos conquistaram Lisboa. Deram-lhe o nome de Felicitas Iulia Olisipo e desenvolveram-na durante vários anos, até à queda do seu império. Eis alguns pontos onde pode ver o que resto da época em que Lisboa se encontrava sob o domínio de Roma.

Cais e fábrica de peparados de peixe – Casa dos Bicos

No local onde atualmente se encontra a Casa dos Bicos, próximo do Terreiro do Paço, já existiu um cais romano. Era aqui que a água do rio Tejo chegava e onde os barcos ficavam atracados. Atualmente a casa está a cerca de 200 metros do rio Tejo. Ao longo dos anos o rio foi recuando e Lisboa ganhando terreno.

Pormenor da fachada da Casa dos Bicos m Lisboa
Pormenor da facahada da Casa dos Bicos

 

A Casa dos Bicos é mais conhecida por aqui se localizar a Fundação José Saramago, um famoso escritor português. O que muitos não sabem é que no piso térreo existe um núcleo arqueológico extremamente interessante de conhecer.

Nesta zona existia um cais que possibilitava aos romanos chegarem a terra e à zona onde já esteve a 1ª unidade fabril de preparados de peixe. Estas fábricas chegaram a existir em toda a frente costeira de Lisboa e também no que é hoje Sines, Peniche e nos estuários dos rios Sado e Tejo. Lisboa era um importante centro económico, onde a produção de preparados de peixe tinham uma enorme importância.

 

Estacas do cais romano, Casa dos Bicos (Lisboa)
Estacas do cais romano (Casa dos Bicos)

 

O liquamen, garum e hellec eram produzidos e consumidos internamente, mas também exportados para todo o império romano. Se alguém quiser experimentar estas iguarias, eu deixo a receita, que está presente na casa dos Bicos:

“Assim se faz o chamado liquamen: colocam-se as entranhas dos peixes num reservatório e salgam-se. Os peixes pequenos (…) salgam-se todos de igual forma, e conservam-se ao sol, mexendo frequentemente, depois de macerados pelo calor, é daí que se extrai o garum. Coloca-se num cesto grande e firme dentro do reservatório cheio dos peixes (…) e deita-se o garum para o cesto; e assim pela filtração do cesto, se obtém o chamado liquamen, o restante torna-se hallec”.

Simultaneamente a esta produção existia também uma enorme produção de recipientes (ânforas) que eram utilizados para o transporte dos preparados de peixe para os locais ocupados por Roma. Imagino romanos a levarem ânforas cheias de garum pelo cais até aos bracos para a camada mais rica do império…

Ânforas romanas, Casa dos Bicos (Lisboa)
Ânforas romanas (Casa dos Bicos)

 

Domus (Casa) – Hotel Eurostar Museum

Muito próximo da Casa dos Bicos, existe um hotel em cujas obras de construção foi encontrada uma sala de uma domus romana. A antiga sala encontra-se junto à entrada e penso que basta pedir para ir ver que muito provavelmente o permitem. Eu fui inserida num grupo e por isso já tinha autorização prévia.

Pavimento em mosaico, hotel em Lisboa
Pavimento em mosaico (Hotel)

 

Pela proximidade do rio na época dos romanos, imagina-se que nesta domus vivesse um comerciante abastado. Apenas as casas das pessoas mais ricas possuiam pavimento decorado com mosaicos como esta tinha.

Uma domus habitualmente tinha um piso e ocupava um quarteirão inteiro. Aqui podiamos encontrar um átrio e ao seu redor a cozinha, a sala para receber visitas, a sala de jantar e os quartos. O que vemos aqui no hotel era muito provavelmente uma sala. Imagine aqueles banquetes famosos dos romanos, em que estes se encontravam reclinados a deliciar-se com os preparados de peixe que se faziam em Lisboa!

Conduta – Museu do Aljube

Na colina do castelo, muito perto da Sé (antiga mesquita), encontramos o Museu do Aljube, antiga prisão em época de Ditadura Militar. Na época dos romanos, era aqui que passava uma das condutas de descarga de água da zona mais elevada da cidade.

Conduta romana, Museu do Aljube, Lisboa
Conduta romana (Museu do Aljube)

Os romanos foram um povo pioneiro no que diz respeito a infraestuturas como canalizações, aquedutos, estradas e pontes. Na cave do museu é possível ver um exemplo deste enorme avanço das condições de vida que existiam na época.

 

Teatro – Museu do Teatro Romano

Logo que os romanos ocuparam Lisboa construíram um teatro, numa zona alta para que todos que chegassem à cidade pudessem perceber que pertencia ao seu império.

Os teatros romanos eram um símbolo de poder que vemos um pouco por todo o império, desde Lisboa, Itália, Tunísia, Turquia ou o maior de todos, o magnífico coliseu de Roma.

Em Lisboa o teatro deveria ter uma capacidade para cerca de 4000 pessoas, que iam assistir a peças alegres ou dramáticas. Os atores eram os escravos, que usavam máscaras como as que se encontram pintadas na parede imediatamente à frente do palco.

Máscaras romanas utilizadas no teatro romano, Lisboa
Máscaras romanas utilizadas no teatro romano

A cidade parava e todos tiravam o dia para ir assistir à peça de teatro, desde os mais ricos, aos comerciantes e até os escravos. Era um dia em que não se trabalhava e todos sem exceção iam ao teatro.

Quando aqui estiver imagine 4000 espetadores voltados para o rio Tejo, com uma vista totalmente desafogada de edifícios. Imagino que tenha sido absolutamente fantástico.

Termas, lápides e ex-votos– Travessa do Almada

Os romanos iam aos banhos públicos todos os dias, quando terminava o seu dia de trabalho.  Estes locais eram muito importantes não só para manter a sua higiene, mas também para conviver. Ir tomar banho era um ato social, em que se conversava e tomava decisões políticas.

Numa rua entre a zona baixa de Lisboa e o castelo encontramos uma parte de umas antigas termas. Infelizmente não é possível visitar, mas apenas olhar através da janela.

Muito perto do que resta das termas encontramos uma casa com uma fachada particular. É um edifício relativamente recente onde existem vestígios de edifícios romanos que foram integrados na sua construção.

São quatro as pedras que se encontram integradas e que se encontram relacionadas com um templo dedicado à deusa Cibele e com ex-votos , que são homenagens a individualidades.

Pedra de um antigo templo dedicado à deusa Cibele, Lisboa
Pedra de um antigo templo dedicado à deusa Cibele

Estes são alguns dos exemplos que fazem relembrar a importância que Lisboa teve durante a ocupação romana…



Guia do viajante

Quando ir: Entre junho e setembro para temperaturas mais amenas.

Documentos: Para entrar em Portugal, pode precisar de um passaporte e/ou visto, dependendo do seu país em que vive. Cidadãos da Comunidade Europeia não precisam de visto para entrar em Portugal. Os passaportes devem ser válidos até 6 meses (dependendo da sua nacionalidade) e são exigidos para todos, exceto pelos nacionais da União Européia e nacionais da Islândia, Liechtenstein, Malta, Noruega e Suíça, portadores de carteiras de identidade nacionais válidas. Britânicos, australianos, canadenses, americanos e japoneses precisam de um passaporte válido.

Embora não seja obrigatório ter um bilhete de retorno, é aconselhável ter um, porque, se não o fizer, poderá ter de provar meios suficientes de apoio financeiro para devolver.

Moeda: A moeda local é o euro.

Fuso horário: GMT.

Idioma: Português.

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