A ilha de Java

Java é uma das mais de 17000 ilhas que constituem a Indonésia, o maior arquipélago do mundo. Localiza-se no sudoeste da Ásia, próximo da Malásia e Papua Nova-Guiné. O país é conhecido por ser um autêntico paraíso, com paisagens verdes fabulosas, praias de água cristalina e uma rica tradição cultural e religiosa.

A ilha mais conhecida e provavelmente a mais visitada é Bali, mas existem muitos outros locais que também merecem uma visita. Java, onde se encontra a caótica capital e Sumatra também merecem a nossa atenção. Claro que todas as outras terão com certeza bastante interesse, apenas ainda não são tão visitadas.

Quando estava a fazer o meu plano de viagem para a Indonésia optei por Bali, pelos campos de arroz e templos existentes e por Java pelo templo de Borobudur que para mim era obrigatório visitar. Como tinha tempo e ia começar a minha viagem por Kuala Lumpur, decidi explorar a área ocidental de Java e chegar a Borobudur de comboio.

Procurei então alguma informação sobre as cidades javanesas da região ocidente, mas não encontrei muita coisa. Percebi que muito provavelmente não seriam locais turísticos, o que realmente se veio a confirmar. Penso que foi exatamente por isto que decidi ir conhecer. Quero muito visitar locais autênticos, antes que eventualmente deixem de existir…

10 dias de viagem

Durante 10 dias explorei Jakarta e Bogor, Bandung, Purwokerto e por fim Yogiakarta, onde se encontra o Borobudur. O trânsito é absolutamente infernal em todos os locais por onde andei, muito pior do que em Bangkok ou Saigão. Eu tinha lido que era uma das ilhas mais populosas do mundo, o que realmente resulta num trânsito totalmente caótico. Existem imensos carros a qualquer hora do dia.

Se visitar Java conte com várias horas para ir de carro a qualquer lado, mesmo que seja muito perto. O aluguer de motas fácil e barato que existe em Bali, não existe aqui.

Numa manhã por exemplo, precisei de trocar dinheiro e lavar roupa e foi tudo o que consegui fazer. Os locais eram bastante perto do hotel onde fiquei, mas existem tantos carros que mais valia ter ido a pé. Não fosse o carrinho de bebé era o que teria feito.

As cidades

Na minha opinião, o melhor de Java não são as cidades. São super desorganizadas e sinceramente não muito interessantes. O que vale mesmo a pena é sair do grande centro e visitar os seus arredores. É uma autêntica explosão de verde à medida que nos afastamos do caos. Os campos de cultivo de arroz, as palmeiras e as árvores de bambu criam uma paisagem maravilhosa.

Rua de Bogor, perto de Jakarta.

Rua de Bogor, perto de Jakarta.

Arredores de Bandung
Arredores de Bandung

Deslocações

Cheguei a Jakarta num voo de Kuala Lumpur, depois a partir daqui foi sempre por terra. Entre cidades utilizei sempre o comboio, que é confortável, com ar condicionado e muito barato. Mas estamos na Ásia, por isso é sempre de esperar um considerável atraso, que pode ser mais do que uma hora.

Aconselho a comprar os bilhetes sempre na véspera, para evitar surpresas como eu tive. Tive de reformular o plano de viagem entre Jakarta e Bandung. Havia cerca de dez comboios entre estas duas cidades no dia em que eu queria, mas há tantas pessoas que rapidamente ficam lotados. O que não foi fácil é que sem internet, sem conseguir falar ingês com ninguém, é difícil organizar um plano alternativo. Mas lá me safei 😉

Interior de um comboio em Java
Interior de um comboio em Java

Dentro de cada uma das cidades utilizei sempre que pude o Grab, que é uma aplicação parecida com o Uber que conhecemos. Conte com períodos de espera grandes, de até uma hora, nas horas de ponta. De qualquer forma, mesmo que o motorista aceite a viagem que pediu e esteja a ir na sua direção pode cancelar a qualquer momento. É preciso muito tempo e paciência…

A comida

Em todos os locais que conheci em Java percebi que basicamente temos duas opções: ou comemos arroz ou noodles. Quer um quer outro podem ser cozinhados em água, fritos ou em sopa, com camarão, tofu, carne de vaca ou frango. Normalmente a comida é razoável, mas se não gosta de comida picante (tal como eu) tem de frisar algumas vezes que é “not spicy”.

Eu tinha sempre a desculpa de que a minha filha não podia comer coisas picantes. Desta forma tinham sempre mais algum cuidado.

Os habitantes

Fiquei com a impressão que os javaneses são bastantes simpáticos e um pouco envergonhados. Ao andar na rua as pessoas olhavam para nós e sorriam, penso que até surpreendidas por verem alguém tão diferente por estes lados. Durante vários dias de viagem não vi ocidentais, por isso não é de estranhar a curiosidade que deviam sentir.

De forma bastante tímida aproximavam-se de nós e pediam para tirar uma foto ou filmar, sempre com a mão à frente da boca, aquele hábito que vemos normalmente nas nossas crianças.

Fui abordada frequentemente devido à minha filha. Todos queriam tocar na pele e no cabelo dela que não é tão liso como o dos javaneses. Confesso que na maioria das vezes não me importei, mas quando eram várias solicitações seguidas até ela se recusava… Mas isto acabou mal chegámos a Bali.

Sorrisos javaneses
Sorrisos javaneses

A religião

A maioria nesta ilha é claramente muçulmana. São raras as mulheres adultas que não têm lenço tradicional na cabeça e sobre os ombros. Cheguei até a ver em algumas meninas com a idade da minha filha (três anos), que já usavam. Nos outros países muçulmanos que já visitei, não é muito habitual utilizar em tão tenra idade.

Existem várias mesquitas espalhadas pelas cidades, de cor verde e dourada. São um oásis de exuberância no meio da pobreza das casas. Isto é algo que sempre me choca, em qualquer religião.

Permitiram-me entrar numa mesquita em Purwokerto, localizada na proximidade do centro comercial com traços bem modernos. Fiquei apenas na divisão exclusiva ao sexo feminino, com meia dúzia de javanesas que se encontravam no seu momento de oração. Este foi um momento muito interessante de contacto com as mulheres javanesas.

Ao chegarem à mesquita as mulheres iam ao bengaleiro para retirar uma das túnicas que lá se encontravam. Depois então dirigiam-se a um local afastado do resto das mulheres, vestiam-se e  começava o ritual. Uma delas chegou com as suas duas filhas, o que rapidamente chamou a atenção da minha. No momento seguinte estavam as três a brincar naquele pequeno espaço da mesquita, enquanto a mãe se encontrava concentrada no seu ritual e eu tirava algumas fotografias para eternizar aquele momento.

Zona exclusiva a mulheres, na mesquita de Pukowerto.
Zona exclusiva a mulheres, numa mesquita de Purwokerto.
Mulher a preparar-se para a oração, numa mesquita de Purwokerto.
Mulher a preparar-se para a oração, numa mesquita de Purwokerto.

Quando  terminou a oração aproximámo-nos, depois de algumas trocas de sorrisos. Como era de esperar quis logo uma foto da minha filha com as dela. Antes de ir embora trocámos ainda algumas palavras, ela tinha imensa curiosidade em saber de onde éramos e porque estavámos ali. Mais uma javanesa super simpática e curiosa.



Guia do viajante – Java

Quando ir: Entre Abril e Outubro.

Documentos: Passaporte com validade de 6 meses a partir da data de saída da Indonésia. Isenção de visto de entrada na Indonésia desde que a entrada ocorra por um dos cinco aeroportos principais da Indonésia ou nove portos de mar. Este tipo de visto é válido por 30 dias (não prorrogável), para fins de turismo, cultura, visita de negócios, ou fins oficiais, mas não para qualquer outro tipo de atividade laboral.

Moeda: A moeda local é a rupia indonésia.

Fuso horário: A zona ocidental (Jacarta) GMT + 6 (Verão) e + 7 (Inverno).

Idioma: Há um grande número de línguas no país, sendo a língua oficial o indonésio ou bahasa indonesia. A língua estrangeira mais comum é o inglês.



 

 

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