Barquinha

A pouco mais de uma hora de Lisboa (125 km) encontra-se o concelho de Vila Nova da Barquinha. Esta região é banhada pelo rio Tejo, o maior rio português, que nasce na Extremadura espanhola e desagua muito perto de Lisboa.

Tejo

É devido à existência deste rio que o concelho deve a sua origem. A história remonta à época em que o Tejo era um corredor de comunicação e de comércio de vários produtos como o sal (proveniente da grande Lisboa) e o gelo (do norte de Portugal). Ainda hoje existe na Barquinha a Rua do Sal, que ficou desta forma perpetuada devido ao armazenamento que se fazia no local deste produto que era conhecido como ouro branco, pela importância que tinha.

Era recolhida neve nas terras altas, que se guardava posteriormente de forma a que ficasse compactado e que formasse gelo com o tempo. Quando começava o verão cortavam-se grandes blocos de gelo, que eram enviados para Lisboa para refrescar os mais ricos da cidade.

E desta forma a história do rio Tejo acabou por ser a mesma do que a de Vila Nova da Barquinha. Começou por ter extrema importância comercial e militar, mas ao longo dos anos foi entrando em decadência, sendo o comércio fluvial sido substituído gradualmente pelo terrestre. A população criou portos e começou a dedicar-se à pesca.

Atualmente é uma região ribatejana onde encontramos vilas tranquilas e simpáticas, carregadas de uma história que remonta ao inicio de Portugal. O passeio que fiz demorou um dia inteiro e visitei dois locais do concelho e um outro nos arredores.

Fui acompanhada pela Welcome-to e Tritejo e fez uma enorme diferença. Espreite o Facebook (Welcome-To e Tritejo) e o Instagram (Welcome-To e Tritejo) para ficar a saber o que eles fazem. O Filipe conhece muito bem a região e consegue fornecer muito mais do que a (pouca)  informação que se encontra disponível nos locais.

Castelo de Almourol

Este é um local imperdível e por si só justifica uma visita à região. É o castelo dos castelos.

O Castelo de Almourol localiza-se no topo de uma ilha escarpada no meio do rio Tejo, sendo também por isso um dos monumentos mais emblemáticos de Portugal. O seu nome tem origem na sua localização, Al-morolan significa pedra grande.

Como chegar

Para chegar lá terá de ir até Tancos ou Barquinha e apanhar o barco. O percurso de ambos os cais até ao Castelo é uma forma perfeita de o observar de longe e perceber o misticismo que existe inerente à sua localização. O Castelo vai começar por surgir muito pequeno lá ao fundo no rio, mas depois ergue-se imponente, com uma aura de mistério e romantismo. É único em Portugal, também por isto.

Castelo de Almourol, Vila Nova de Barquinha, Portugal
Castelo de Almourol
Castelo de Almourol, Vila Nova da Barquinha, Portugal
Castelo de Almourol

História

Vamos começar a história quando D. Afonso Henriques fundou o reino de Portugal, com o auxílio da Ordem dos Cavaleiros Templários. Para retribuir esta ajuda, o que se viria a tornar o 1º rei de Portugal, doou grande parte do território português. Neste contexto surge Gualdim Pais, um Grão-Mestre da Ordem Templária, que D. Afonso Henriques encarregou para a defesa da região limitada pelos rios Mondego e o Tejo.

E foi com esta função militar e com traços templários que o Castelo de Almourol foi reconstruído (1171), uma vez que este já existia quando o local foi conquistado. Era do alto deste edifício que se defendia o que na época era o reino de Portugal, sendo que o Tejo era uma importante fronteira e via de comunicação. Quando o for visitar não deixe de ver a inscrição sobre a porta principal do Castelo, informando que foi Gualdim Pais o responsável pela sua edificação, a muralha interior (existe um Castelo dentro do Castelo) e a torre de menagem, que com toda a certeza vai querer subir para ter uma vista fabulosa para a lezíria ribatejana.

Ao longo dos séculos o Castelo sofreu várias alterações e obras de restauro, sendo hoje o monumento que evoca melhor as principais características artísticas e arquitetónicas da Ordem dos Templários em Portugal.

Almourol foi perdendo a sua importância de defesa, nunca perdeu a aura mística que se lhe encontra associada. Existem muitas lendas que envolvem princesas mouras e cavaleiros cristãos.

Parque de Escultura Contemporânea Almourol

A Barquinha é uma vila simpática, localizada junto ao rio Tejo. Na sua zona ribeirinha existe um parque verde com sete hectares, que tem uma particularidade. É o primeiro parque de escultura onde se encontram reunidas obras dos artistas mais representativos da escultura contemporânea portuguesa. Já ganhou um Prémio Nacional de Arquitetura Paisagista, o que confirma que Barquinha é uma importante atração turística e cultural de Portugal.

Na minha opinião o melhor desta zona verde é o facto das esculturas contemporâneas estarem na liberdade, o que cria uma dinâmica e uma proximidade muito maior, quando comparamos com o local fechado, como um museu. É muito interessante observar que as pessoas tocam e utilizam as esculturas, talvez a resistência da cultura nos espaços públicos termine…

Um dos trabalhos que lá se encontra é da autoria da Joana Vasconcelos, mas não é de longe a mais interessante, na minha opinião. A minha preferida é a floresta de granito e bronze de Alberto Carneiro. É uma obra biográfica muito interessante.

Parque de Escultura Contemporânea Almourol, Vila Nova de Barquinha, Portugal
Parque de Escultura Contemporânea Almourol
Estatua de Fernanda Fragateiro, Parque de Escultura Contemporânea Almourol, Vila Nova Da Barquinha, Portugal
Estatua de Fernanda Fragateiro, Parque de Escultura Contemporânea Almourol
Estatua de Alberto Carneiro, Parque de Escultura Contemporânea Almourol, Vila Nova da Barquinha, Portugal
Estatua de Alberto Carneiro, Parque de Escultura Contemporânea Almourol

O signficado de cada uma das esculturas não é nada óbvio e por esta razão recomendo uma visita acompanhada. Claro que pode andar pelo parque e ler a informação que lá está escrita, mas na minha opinião, não é suficiente.

Quinta da Cardiga

Depois de visitar o Castelo de Almourol e o Parque de Escultura recomendo uma visita a um local que fica a poucos minutos de carro do concelho de Vila Nova de Barquinha. A Quinta da Cardiga localiza-se já no concelho da Golegã, na margem direita do rio Tejo. Não é possível visitar o interior desta antiga exploração agrícola, mas só a fachada e o seu envolvimento valem muito a pena ver.

História

Da mesma forma que o Castelo do Almourol, também este espaço remonta ao início de Portugal. Foi D. Afonso Henriques, o 1º rei de Portugal, que doou à Ordem dos Cavaleiros Templários o Castelo medieval que já existia onde hoje está a quinta. Era um dos castelos que faziam parte da linha de defesa do Tejo (tal como o Castelo de Almourol). Desta época permaneceu até aos dias de hoje a Torre de Menagem, que poderá facilmente observar quando estiver lá perto.

No século XVI é que foi criada uma quinta de produção e criação de gado e a casa foi transformada num belo Palácio, com cerca de 30 quartos… Num dos seus pátios encontra-se a Torre de Menagem, que foi sempre preservada e englobada na Quinta da Cardiga. Nos tempos em que este espaço estava em funcionamento existia também um celeiro, uma capela, cavalariças.

Quinta da Cardiga, Golegã, Portugal
Quinta da Cardiga

Quinta da Cardiga, Golegã, Portugal

Quinta da Cardiga

Por esta altura foi realizada uma obra impressionante de engenharia. O curso do rio Tejo foi desviado cerca de 1 km por alguns milhares de trabalhadores, de forma a aproximar-se da Quinta da Cardiga. Por aqui se pode ver a importância que este local teria.

Hoje em dia este imóvel classificado de interesse público, encontra-se à venda por alguns milhões de euros.

 

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