15 fotos da medina branca (andaluza) de Tétouan

O norte de Marrocos não é igual ao resto do país. A história, o percurso que teve ao longo dos anos, a influência que recebeu dos povos que ocuparam a zona é bastante diferente e por isso as povoações também o são. A forma como as localidades estão organizadas é de facto bem distinta. As medinas aqui são brancas, ao contrário de todas aquelas que se pode ver nas cidades mais conhecidas, como Marrakesh.

A influência espanhola, mais especificamente Andaluza, já se sente em Chefchaouen, no cal utilizado nas paredes, nas pequenas ruas estreitas e sinuosas e nos vasos de flores que se encontram perto das portas das casas. Mas em Tétouan toda esta influência ganha uma outra importância, dado que além do próprio urbanismo, a cor dos edifícios é quase sempre branca.

Há algumas zonas onde parece que estamos mesmo naqueles bairros típicos de Granada ou Sevilha e não deste lado do estreito de Gibraltar, até porque também se ouve falar espanhol, misturado com berbere e árabe… Tétouan é designada de “Filha de Granada” porque de facto assemelha-se bastante com esta povoação espanhola.

Tétouan é uma cidade um pouco esquecida nos percursos mais turísticos, mas vale muito a pena fazer uma visita (nem que seja uma manhã ou tarde) a este local que tem conseguido manter a sua autenticidade ao longo dos anos. Foi considerado Património Mundial da Humanidade da UNESCO em 1997.

História de Tétouan

A história de Tétouan começou há vários séculos atrás, antes de Cristo, com tribos berberes. O local onde se instalaram chamava-se Tamuda e localiza-se a cerca de oito quilómetros da atual Tétouan. Por aqui também passaram fenícios e romanos.

Mas terá sido com os árabes que Tétouan começou. Em primeiro lugar foi construída uma kashbah e uma mesquita e mais tarde fortificou-se o local. Esta fortificação foi utilizada para ataques a Ceuta, como base a corsários e incendiada pelos espanhóis. Todas estas situações diferentes levaram a uma enorme degradação da povoação e ao seu abandono.

Porta da medina de Tétouan
Uma das portas da medina

O repovoamento foi realizado pelos refugiados árabes e judeus que tiveram de sair da região Andaluza, no seguimento da queda da ocupação árabe. O norte de Marrocos é bastante próximo, do ponto de vista geográfico, e deverá ter sido um bom local de fuga do sul de Espanha.

Foram então estes árabes e judeus com forte influência andaluza que reconstruiram e repovoaram Tétouan, tal como sucedeu com outros locais do norte de Marrocos, como Chefchaouen.

Já muito mais recentemente, no século XX, decorreram vários eventos entre alguns países europeus que fizeram com que tivesse sido assinado o Tratado de Fez, do qual resultou que tivessem sido instaurados os protetorados espanhol e francês. Tétouan fazia parte do protetorado espanhol.

Em 1956 Marrocos tornou-se um país independente.

15 fotos da medina

A medina de Tétouan é pequena, comparada com outras que existem em Marrocos, tendo a sua muralha apenas cinco quilómetros de extensão. Quando chegamos à cidade vindos da zona mais nova, temos de aceder a uma das sete portas que se encontram na muralha da velha medina para entrar então na mais surpreendente medina do país. Eu já aqui tinha estado há mais de dez anos numa curta passagem, e não me lembrava do quão interessante a medina é.

Ao entrar numa das portas da medina entra-se numa outra dimensão. Aqui reina a aparente desordem, com ruas estreitas que nos levam a becos sem qualquer saída, praças luminosas que surgem logo após a passagem por zonas escuras, é um labirinto onde nos apetece perder. Nesta medina branca vemos trabalhadores de madeira e couro, vendedores de tâmaras deliciosas, de fruta, de legumes, de artesanato local.

Há uma pequena tinturaria, onde as peles que são tiradas aos animais são preparadas (raspadas) e mergulhadas em vasos de pedra que parecem favos de mel. No interior desses vasos encontra-se água com diferentes corantes. A pele tem de ser levada para o interior e mergulhada na água com corante de forma a que fique da cor pretendida. No fim as peles são secas ao sol e depois trabalhadas pelos artesãos que podem ser facilmente encontrados nas ruas dos souks da medina.

Este local não tem o mesmo fascínio que a tinturaria de Fez, até porque é a mais antiga de Marrocos e muito provavelmente a maior, mas vale mesmo a pena conhecer este ponto de Tétouan. Aqui não há turistas, o acesso é muito discreto. Mas se tiver curiosidade, basta perguntar e acredito que todos lhe dirão. Mas tenha atenção a quem pergunta, para não cair em esquemas de alguém o levar lá e depois no fim exigir dinheiro. Sempre que tenho de perguntar escolho sempre alguém mais idoso e que mais dificilmente entra nessas jogadas.

Como todas as medinas marroquinas existem diferentes souks (mercados) e é bastante interessante percorrer toda a extensão desta antiga cidade para ficar a conhecer um pouco de todos os tipos de atividade aqui praticada. Já perto do Palácio existe o bairro judeu. Judeus e árabes convivem há séculos de forma pacífica na medina.

De seguida coloco 15 fotos da medina.

Eu viajei a convite do Turismo de Marrocos, mas todos os meus comentários são independentes.



Dicas para viajar até Tétouan

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Como chegar:  Se for de Lisboa como eu, o melhor é apanhar um avião direto para Fez ou Tânger. A partir daí pode chegar de autocarro ou de táxi até Tétouan. Eu voei até Fez que era a minha primeira paragem e depois segui com um minibus.

Como se deslocar: Na medina não entram carros, por isso a única forma de explorar é mesmo andar a pé. E ainda bem, porque esta é a melhor forma de conhecer um novo local. Para explorar os arredores da cidade, fora da medina, é melhor optar por um táxi. Se preferir carro vale sempre a pena comparar os preços e escolher o melhor negócio na Rentalcars.

Onde dormir: Eu não dormi em Tétouan, uma vez que estive aqui uma manhã de passagem entre Chefchaouen e Tanger. Se optar por ficar a dormir por aqui recomendo o Riad Las Mil y una Noches ou o El Reducto, ambos os locais muito bem localizados na medina.

Veja aqui todos os locais para dormir em Tétouan

Onde comer: Há muitos locais para tomar as suas refeições medina. Eu recomendo conhecer o Riad Blanco, que fica muito perto do Palácio Real. A comida é óptima e o ambiente requintado.

Tours: Uma das questões que muitas vezes me colocam é sobre a necessidade ou não de um tour na medina. Eu já estive várias vezes em algumas cidades marroquinas e nunca contratei guia, nem para conhecer a medina nem para me levar a algum local em particular. Nesta viagem, excecionalmente fui acompanhada por um guia e diria que vale a pena. Penso que devemos sempre reservar tempo para andarmos sozinhos, mas é sem dúvida uma mais valia percorrermos as ruas com alguém que conhece bem o local e que nos pode dar boas dicas.

Não sei se todos passarão pelo mesmo, mas eu visitei Tétouan inserida numa blog trip e mal o grupo chegou à Medina foi sendo acompanhado por um polícia, que acabou por ser nosso guia.

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